Árvores no outdoor

Árvores no outdoor

A personagem Meryl Burbank, interpretada pela atriz Laura Linney, no filme O Show de Truman (The Truman Show), cumpria o papel de esposa do protagonista Truman Burbank, vivido por Jim Carrey. O enredo apresentava um homem que além de personagem central do filme, ocupava a mesma posição em um programa de televisão que retratava a sua vida cotidiana, recebendo, interessantemente, o mesmo nome do filme real.

A peça dentro da peça não tinha uma trama rebuscada, pois Truman Burbank não interpretava, pois desconhecia viver uma encenação, ignorando que fora inserido, mesmo antes de seu nascimento, em um ecossistema criado para comportar o show. As pessoas assistiam a vida de um homem que foi aprisionado por mentiras e interagia com atores em um ambiente controlado sem poder imaginar sua real condição. Mesmo as condições climáticas eram controladas por uma central da qual o diretor do programa agia como se fosse uma espécie de deus daquela farsa.

Meryl Burbank, que sabia não ser real a sua relação marital com protagonista, tratou de aferir vantagens em razão da grande audiência do programa e de sua constante aparição, fazendo flagrantes exposições desnecessárias de produtos quando interagia com o esposo ficcional em evidente prática publicitária incutida na programação. Não era algo discreto e, com o passar do tempo, tornava-se cada vez mais evidente que Meryl não falava de um determinado produto com naturalidade, posto que, precisava instigar os espectadores em relação aos produtos que anunciava, chamando a atenção de Truman devido ao jeito artificial como fazia tais propagandas.

A publicidade depende da comunicação e seu intuito e cativar a atenção de um público alvo para que adira a uma ideia que o publicitário deseje propagar, seja a compra de um bem, a aceitação de uma proposta, a arregimentação em um grupo ou a adesão de um novo costume.

Quando o público alvo deseja aquilo que a publicidade o oferta, o único objetivo é expor que o objeto ora desejado está à disposição, a tarefa se torna simples como iluminar um caminho pelo qual o agente já pretendia seguir.

Por outro lado, quando o público alvo não tem um interesse prévio pelo objeto da publicidade, far-se-á necessário convencer tal público a desejar aquilo que o publicitário tem a oferecer, usando diversos métodos para atingir o sucesso. No processo de convencimento, o esforço empregado pode demorar a trazer resultados, logo, aquele que promove algo precisa ter em mente que o resultado imediato, quando preciso convencer, dificilmente será alcançado.

Não havendo um desejo preexistente, é necessário criar a demanda para atender a oferta. Um fluxo invertido no qual o produto não atende a um anseio, mas a vontade em adquiri-lo é artificialmente injetada. O público alvo é instigado a desejar aquilo que o publicitário se comprometeu a fornecer sem que houvesse uma demanda, satisfazendo a oferta de algo que não era realmente desejado. No jargão popular, empurrar algo que ninguém quer.

Para que alguém consuma algo que não deseja, é preciso que seja convencido de que tal objeto, seja material ou não, lhe é útil, seja um substituto superior ao seu desejo original ou o trará ganho indireto. Embarcações são úteis para cruzar grandes rios e mares, a lâmpada elétrica foi um substituto superior às velas, ao passo que, peças de joalheria adornam seus usuários para lhes dar verniz de maior poder aquisitivo, embora não tragam um benefício direto senão o status.

No lado obscuro da moeda, a injeção artificial de demanda faz com que o público alvo deseje algo que lhe é prejudicial usando a farsa como artifício, fazendo com que a oferta de algo não desejado e nocivo seja atendida em razão da mentira contida em sua publicidade.

Algo nocivo pode ser propagado como útil quando seu rótulo esconde sua real natureza. Um bom exemplo é o socialismo, ideologia que se divulga como meio de promover a igualdade e justiça social quando sua essência é o autoritarismo e a miséria. O comunismo ou socialismo, ambos os termos são aqui empregados como sinônimo de forma proposital, promete o paraíso na terra, mas se provou uma experiência infernal todas as vezes que foi colocado em prática. Uma farsa que arregimenta os incautos em momentos de fragilidade, frágeis por natureza ou gananciosos demais para enxergar a armadilha, até que os aprisiona em um sistema maldito que propaga inveja, ódio e degradação. O socialismo não é útil, tampouco um substituto para outros sistemas, mas se vende como necessário ao passo que exige de seus arregimentados a propagação de suas ideias e, principalmente, a imposição de seus dogmas tiranos em relação aos que não acreditaram em seu rótulo falso.

Como o óleo de soja e a margarina, que precisaram demonizar a banha e a manteiga para serem objeto de desejo, o socialismo culpa falsamente o capitalismo pelo infortúnio de alguns sem, contudo, apresentar uma solução real para os problemas apontados. Em verdade, sua única solução para a desigualdade é fazer da miséria, econômica e moral, uma rega a quase todos imposta, tendo em vista que seus líderes, incapazes de suportar os males que impõe aos outros, jamais experimentam as privações que os demais devem suportar pelo prometido bem da coletividade.

Um propagandista do socialismo sofre de uma debilidade intelectual ou de caráter tão aguda que ignora o fato de todos os líderes socialistas se banquetearem enquanto os que estão sujeitos ao regime são assolados pela miséria.

Promotores do socialismo nunca se furtaram a expor crianças famintas no continente africano como consequência do capitalismo, mas omitiam o fato de a maioria dos países miseráveis daquele continente ter aderido às ideias socialismo, o chamado socialismo africano, para transferir a imagem de sua abjeta realidade, justamente, para o sistema que se propôs substituir.

No ano de 2008, o regime socialista chinês foi o anfitrião dos jogos olímpicos e, como esperado, vestiu um rótulo para iludir aqueles que admiravam o evento. Colocando árvores em outdoors espalhados pela cidade que sede criava a falsa impressão de que o ambiente era mais arborizado, portanto, mais acolhedor do quê realmente era.

A mentira impede que o público alvo conheça a natureza daquilo que encoberto pelo rótulo que o atraiu, por tal motivo, a propaganda precisa distorcer a perspectiva dos indivíduos para que algo nocivo lhe seja atrativo.

A chamada agenda woke, que incuti ideais identitários em obras de ficção, se aproveita do desejo por cultura, em especialmente a de grande difusão, para promover sua visão. Como exemplo, produções como filmes de super-heróis foram inundadas de ideias identitários, deixando os espectadores cada vez mais frustrados, ou até irritados, ao verificarem que eram enganados, haja vista que, atraídos por um rótulo que os agradava, pois estavam ali para assistir aventuras de heróis, recebiam “lições” para se adaptarem à agenda progressista.

A diversão prometida na embalagem era substituída pelo proselitismo identitário decepcionando o público alvo tão logo percebesse que caíra em uma armadilha, não por acaso, boa parte das obras de ficção que receberam injeções de ideais progressistas se aproveitavam de uma fama preestabelecida, desfigurando personagens e crônicas tarimbadas para transformá-las em meras propagandas.

Diante da clara rejeição, seguindo o costume dos desonestos, os propagandistas da agenda woke passaram a negar sua existência, alegando se tratar de teórico da conspiração qualquer um que apontasse indícios de proselitismo identitário em obras. Negar suas práticas e imputar uma falsa visão transtornada aos que a percebem é uma prática recorrente no meio progressista, que é vertente revolucionária.

A política autodenominada como Diversidade Equidade e Inclusão, sigla DEI, é uma farsa que serve apenas ao proselitismo progressista, não havendo diversidade alguma ao promover que as produções culturais devem se adequar ao pensamento de um determinado grupo, não traz equilíbrio por tratar figuras e conceitos identitários como únicos detentores de virtudes, bem como, não promove a inclusão ao negar que os indivíduos não acolhidos pela agenda sejam enaltecidos.

Conforme corroía produções culturais e era implantada em diversas organizações públicas e privadas, mesmo contra a vontade de muitos, a política DEI, naturalmente, virou objeto de rejeição, mais uma vez, sua existência era negada em determinadas oportunidades. Nos órgãos públicos, a agenda avançava em detrimento da vontade popular, ao passo que, nas instituições privadas que se recusavam a aderir, foram impostas medidas por agentes públicos ou midiáticos.

Perseguições de todos os tipos foram impostas em nome de tal política, citamos o caso da empresa de consultoria DEI, denominada Sweetbaby, que supostamente ameaçou uma produtora de jogos eletrônicos chinesa, exigindo que se curvasse à mencionada política e contratasse seus serviços. Aparentemente, uma conveniente associação entre ideologia e ganho financeiro do jeitinho que os revolucionários gostam.

Recentemente, uma fabricante de colchões no Brasil foi pressionada pelo poder público por não ter, em seus quadros de direção, uma equipe “diversificada” como a política progressista deseja, pois falta de homens ou brancos parece não ser uma ausência de diversidade que justifique a intervenção do Estado.


Com os exageros do identitarismo, a rejeição se tornou cada vez maior e movimentos de reação surgiram naturalmente. Na cultura pop, os fãs começaram a apontar aquilo que, inicialmente acreditavam se tratar de erros, mas que se provou uma intencional instrumentalização da cultura para promover os ideais identitários, indicando a presença de um ativismo que consumia o entretenimento, transformado em mera propaganda progressista. Alertaram para a corrupção das obras e viam que nem mesmo as destinadas ao público infantil escapavam, mas foram ignorados, pois havia a intenção de corromper para mudar o comportamento através da ficção e os produtos destinados às crianças eram sim peças importantes em tal processo.

Em uma segunda fase, ridicularizaram a evidente propaganda e começaram a boicotar as obras com tais inclinações, no Brasil, tal movimento foi encabeçado por figuras proeminentes nas redes sociais e plataformas de mídia difusas que acabaram se reunindo em um grupo que absorveu o apelido, inicialmente pejorativo, de “nerdolas”.

No âmbito da imprensa, o proselitismo revolucionário foi tão evidente que jogou os principais meios de comunicação em descrédito, chegaram a formar um cartel para manipular a informações durante a pandemia, que se denominou de “consórcio de imprensa”, cuja única finalidade era combinar o quê podia, ou não, ser dito durante aquele período. Tal cartel parece não ter se dissolvido, tendo em vista a clara sincronia nas matérias, abafando ou minimizando quando determinado espectro político toma atitudes ou se pronuncia de forma reprovável, ao passo que superestima aquilo que acredita causar dano à imagem de uma oposição a quem rejeita.

A publicidade tomou conta do roteiro, seja na ficção ou na vida real, e os rótulos falsos buscam vender problemas como soluções e venenos como remédios, contudo, aquele que é incapaz de distinguir as árvores nos outdoors das reais acabará pagando o preço por se deixar guiar em direção ao abismo. Seguir a velha imprensa que há muito se tornou mera agência de publicidade, nos dias atuais, é uma escolha e não existem escusas aos que se negam a enxergar aquilo que lhe foi esfregado nas fuças.

O compromisso da velha imprensa com seu espectro político, sim, a imprensa assumiu ser parte integrante de um grupo político, a faz distorcer aquilo que chama de notícia para servir como meio de difusão de seus ideais e promover sua ideologia, portanto, merece a mesma rejeição que as obras de ficção que igualmente se corromperam.

A chamada liberdade de imprensa, que deveria ser dada a cada indivíduo em razão da informação descentralizada, alcançando apenas um grupo, como é na atualidade, mitiga a liberdade de expressão e a entrega a uma oligarquia parasitária que luta para sobreviver através do monopólio, associando-se ao poder público e financeiro para que aqueles persigam e intimidem os que não integram o cartel de comunicação, em troca, a imprensa tradicional se transformou em uma grande agência publicitária dos detentores do poder, talvez sempre tenha cumprido tal papel, mas como Meryl Burbank, perdeu a vergonha e passou a fazer sua propaganda de forma escancarada.

Leia também: Amizade ou perseguições

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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 67 edição de Junho de 2026 – ISSN 2764-3867

Sobre o autor

Leandro Costa

Ideias conservadoras estão mudando o Brasil Todas as faces da esquerda, do socialismo mais radical à social democracia levaram nosso país para as trevas, destruíram a moral dos cidadãos e acabaram com os valores. Os conservadores estão tentando, desesperadamente, tirar o Brasil deste caos. Precisamos unir nossas forças enquanto é tempo de salvar nossa nação. Meu nome é Leandro Costa criei este site para divulgar ideias, trabalhos e contar com você para me ajudar a mudar o Rio de Janeiro e talvez o Brasil. Pretendo usar meus conhecimentos para, de fato, ajudar na construção de um mundo melhor. Convido você a fazer parte do meu time de apoiadores, amigos, entusiastas e todos que acreditam em minhas ideias. Defendo o conservadorismo e conto com sua ajuda para tirar o nosso povo da lama que a esquerda nos colocou.

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BIOGRAFIA

Leandro Costa

Servidor público, advogado impedido, professor de Direito, Diretor Acadêmico do projeto Direito nas Escolas e editor-chefe da Revista Conhecimento & Cidadania.

Defensor de uma sociedade rica em valores, acredito que o Brasil despertou e luta para sair da lama vermelha que tentou nos engolir. Sob às bênçãos de Deus defenderemos nossa pátria, família e liberdade, tendo como arma a verdade.

É preciso fazer a nossa parte como cidadãos, lutar incessantemente por nosso povo e deixar um legado para as futuras gerações. A política deve ser um meio do cidadão conduzir a nação, jamais uma forma de submissão a tiranos.

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