Miséria em metástase

Miséria em metástase

A sabedoria popular nos alertava quanto às laranjas podres e sua capacidade de contaminar as demais, evidenciando que algo nocivo pode estragar frutos bons ao seu redor pelo contato, portanto, resta claro que a corrosão é contagiosa e devemos extirpar o mal antes que ele contamine tudo aquilo que o cerca. Nas palavras sagradas, separar o joio do trigo.

O famoso cantor de reggae Bob Marley morreu devido a complicações de uma infecção em um de seus membros inferiores, entretanto, relata-se que a vida de Marley poderia ser salva se ele concordasse em amputar o membro, todavia, em razão de sua crença, que não admite o procedimento Bob Marley se recusou a autorizar que os médicos retirassem seu membro infeccionado e acabou falecendo por consequência. No caso do astro do reggae a decisão é compreensível, posto que, sua fé renegava o procedimento médico, logo, para salvar sua vida, Bob Marley teria de renunciá-la e, mesmo não crendo no Rastafari, não há como negar o valor de um homem que morre por aquilo que acreditava. A opção entre a vida e a salvação espiritual sempre será uma prova difícil e a escolha merece certo grau de complacência por parte daqueles que não precisaram fazê-la.

O ponto não é debater se Bob Marley estava certo ou não, pois sua escolha foi pautada por aquilo que verdadeiramente acreditava, caso contrário, não abriria mão de sua própria vida, mas entender que, quando não retirada do meio das outras, a laranja podre poderá custar todo o fardo.

A Nova Iorque degradada de outrora, a atual parece querer voltar a aqueles tempos, experimentava altos índices de criminalidade que devastava as áreas mais pobres e desvalorizava as de médio padrão. O povo nova-iorquino temia caminhar pelas ruas durante a noite, alguns lugares eram evitados até o período diurno, assistia os empregos formais e investimentos na cidade despencarem, ao passo que as gangues tomavam cada vez mais espaços e os serviços públicos se mostravam ineficientes. A cidade dava sinais de decadência e tudo indicava que a era dourada da capital financeira do mundo jamais voltaria, Nova Iorque entraria para história como um gigante de luxo, concreto e aço que sucumbiu devorado pelo caos das gangues e os ratos que chafurdavam as lixeiras, muito parecido com o cenário atual de grandes cidades do ocidente.

Era preciso identificar e resolver o problema, sendo aventada a possibilidade de colocar em pratica a politica denominada de “tolerância zero”, sustentada na “teoria das janelas quebradas”, o então governo nova-iorquino decidiu que adotaria uma política de segurança pública enérgica, que não tratava o problema com indiferença ou paliativos que tão somente retardariam o seu avanço. A decisão corajosa passava por enfrentar desde os menores desvios aos grandes distúrbios sem acovardamento ou leniência.

A teoria em tela prega que nenhuma janela deveria ser deixada quebrada, pois a simples imagem de desleixo incentivaria que outras janelas tivessem igual destino, ilustrando as janelas como os pontos mais frágeis em uma sociedade e a destruição delas como agressões de menor importância, a teoria das janelas quebradas propõe um ambiente hipotético em que há um prédio no qual é possível ver uma única janela quebrada, algo que não seria, em si, um sinal de abandono, entretanto, na hipótese aventada, a janela quebrada não era reparada e com o passar dos dias outra janela aparecia quebrada, talvez crianças voltando da escola atirassem pedras contra o prédio, uma vez que a primeira janela quebrada não parecia incomodar os proprietários, quebrar uma segunda não aparentava algo grave.

Como a segunda janela também não era consertada, talvez pelo real abandono, pela impossibilidade de fazê-lo ou, em ultima análise, pela degradação não incomodar os proprietários, outras janelas eram depredadas na sequência. Quando a maioria das janelas estava destruída, a degradação avançaria e reparar o estrago tronava-se cada vez mais caro e difícil, caso nenhuma medida enérgica fosse tomada, outras depredações apareceriam. A única solução era reparar os danos e coibir aqueles que apedrejavam as janelas, uma medida enérgica que precisava ser posta em prática o quanto antes, uma vez que, procrastinar tornaria a recuperação mais difícil tendo em mente que a degradação avançaria.

No plano da realidade nova-iorquina reparar os danos significava cuidar da cidade, vigiando para prevenir e restaurando a infraestrutura, ao passo que, coibir os apedrejadores era a árdua tarefa de reprimir criminosos, do vandalismo ao crime organizado, o governo de Nova Iorque se propôs ao combate, não sendo tolerante com os infratores que vilipendiavam os cidadãos de bem. A cidade se recuperava como alguém que se cura de uma moléstia grave através de um tratamento pesado e eficaz, a Nova Iorque de décadas anteriores voltava ressurgia e seus habitantes podiam voltar a caminhar pelas ruas sem o medo daquele período de trevas.

A política de tolerância zero, que resolvia o problema da maior metrópole do leste americano, cobrava um preço, haja vista que, trazia paz aos cidadãos, mas usava a força contra os infratores que, naturalmente, reagiriam diante da ação enérgica do poder público. A reação seguia por duas vertentes.

A reação direta e imediata era a violência contra os agentes do governo, criminosos que não estavam dispostos a perder seu poder, tampouco deixar sua atividade, tornavam-se mais violentos, exigindo que as forças de segurança tomassem medidas cada vez mais enérgicas. Tal reação surtiria um efeito rápido, mas não se sustentaria ao longo do tempo, de maneira que, mantendo-se a política de tolerância zero, os criminosos teriam suas forças esgotadas os adotariam uma posição de cautela, escondendo-se entre as sombras e ousando cada vez menos, a violência tornar-se-ia controlada, embora não fosse extinta, reduziria sua influência gradativamente.

Uma reação indireta, não promovida pelos criminosos, e mediata, pois procurava um efeito de longo prazo, viria dos atores políticos do espectro progressista. As vozes dos revolucionários bradavam contra aquilo que chamavam de repressão excessiva do aparato policial e judicial, como esperado, a política que salvava Nova Iorque incomodava o campo progressista como a quimioterapia ao câncer, longe dali, governos adeptos das pautas revolucionárias empregavam políticas de segurança de tolerância total, sendo lenientes ou até promíscuos em relação ao crime. Os órgãos que deveriam atuas para coibir as práticas delituosas se corrompiam ou eram anestesiados, enquanto a produção acadêmica, dominada por progressistas que se coroavam com títulos dados por seus mestres, se voltava a dar respaldo às narrativas que enalteciam a degradação cultural e rechaçavam medidas enérgicas contra os infratores.

A glamourização da degradação, fez da miséria um espetáculo, enalteceu o crime organizado, transformou criminosos em vítimas, aleijou as forças de segurança pública, criou a ideia de um Judiciário “garantista” que só buscava garantir os direitos humanos para infratores e vilipendiou a figura do cidadão de bem, uma vez que, para o revolucionário não existe conceito que não seja volátil e o bem é aquilo que se presta à sua intenta.

As favelas se expandiam ao passo que eram relegadas ao controle de facções criminosas com raízes nos movimentos revolucionários e os cidadãos sujeitos ao chamado poder paralelo tiveram que, pela força ou sedução, reconhecer a legitimidade de uma guerrilha cada vez mais estruturada. As grandes cidades se tornaram hospedeiros de figuras nefastas que usavam os miseráveis como escudos humanos e outras, talvez ainda mais abjetas, que, dentro de seus gabinetes e grupos de estudo, criavam teorias para justificar as ações dos criminosos que assolavam a população.

De políticos que se apresentavam como defensores dos mais pobres, mas nunca se importaram quando o rico e poderoso crime organizado subjugava os que viviam nas comunidades carentes, a juristas que observavam violações em quaisquer ações que reprimissem os infratores, mas eram incapazes de pregar que suas vítimas tivessem a proteção adequada, passando por cientistas que tentavam justificar as condutas desviantes dos membros das facções, sempre sugerindo que a sociedade deveria ser complacente com seus algozes, as grandes cidades foram tomadas pela degradação e perderam sua capacidade de reação. Parece-nos que, abaixo do trópico de câncer a incapacidade de se opor à degradação ou a vontade deliberada em espalhar e explorar a miséria se tornou uma bola de neve fora de controle.

A degradação programada como meio de promover a miséria sobre a sociedade, uma forma de ministrar uma medicação que, diverso do esperado, acelera o avanço do câncer, entrega os cidadãos ao julgo de facínoras que não prestam contas de seus atos e podem, livremente, impor sua vontade. Os mesmos revolucionários que pregam a pena de morte aos reacionários ou aceitam crimes bárbaros como forma de resistências, considerando que não sendo um somellier de resistência é possível aceitar até o estupro coletivo como fizeram o Hamas e o Exército Vermelho no passado, são os que pregam a não violência como tratamento às organizações criminosas, sugerindo no máximo que se desarmem fuzis com pedras.

A miséria trazida pela degradação avança sobre a cidade e as favelas se tornam cada vez mais influentes ao passo que os bairros estruturados perdem valor e segurança. Cartões postais como o Rio de Janeiro deixam de atrair turistas e convidam o carioca a deixar sua terra natal, as paradisíacas praias do sul da Bahia, o litoral paulista, a Região dos Lagos fluminense e tantas outras, recebem forte influencia do crime organizado e se tornam menos convidativa ao progresso e a visitantes.

A mesma fonte de miséria que corroeu a Argentina luta para recuperar seu poder naquele país, mesmo tendo destruído países como Venezuela, Cuba e Nicarágua, alegando que seus líderes se preocupam com o chamado bem estar social, mas a verdade evidencia que a degradação é o método de se manter no poder criando a dependência do indivíduo em relação ao Estado e usando as organizações para impor regras que não seriam bem vistas se editadas pelo poder formal. Apesar de regimes, como o iraniano, não se preocupar com a reputação diante das claras violações, regimes não tão bem estabelecidos precisam se fingir de democráticos, como outrora a Nicarágua fazia, portanto, a organizações criminosas tornam-se indispensáveis para que violações, por elas praticadas, não repercutam no Estado, em que pese colaborado ao deixar bolhas de soberania sob o julgo dos criminosos.

A degradação destruirá tudo aquilo que a cerca como a laranja podre e fará com que reste apenas o câncer sem corpo, entretanto, não haverá como sustentar uma massa destruída quando for tarde demais, a revolução do lumpemproletariado caminha em cada viela abandonada e entregue ao crime organizado.

A miséria, que não é uma falência financeira, pois esta também é programada para que os indivíduos só acessem suas necessidades básicas, mas a degradação de toda a sociedade é promovida e não apenas uma falha na elaboração de soluções.

Os líderes revolucionários se alimentam da miséria e lutaram para espalhá-la por todo o canto, pois é em meio ao caos que pretendem tomar o poder à força. Não é obra do acaso a destruição que o progressismo espalhou pela Europa, até a Torre Eiffel será corroída pela urina de invasores, tudo decorre de uma engenhosa tática de destruir para conquistar e os líderes progressistas europeu abriram suas fronteiras para indivíduos hostis para que, em meio à crise, possam impor sua utopia.

Resistir a degradação é evitar que a barbárie cubra cada canto da civilização ocidental, pois, como o Império Romano, a destruição de um gigante pode vir de seu interior, como um câncer que corrói todas as células e espalha sua podridão a laranja podre fará de todas aquelas ao seu redor tão apodrecidas como ela.

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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 68 edição de Julho de 2026 – ISSN 2764-3867

Sobre o autor

Leandro Costa

Ideias conservadoras estão mudando o Brasil Todas as faces da esquerda, do socialismo mais radical à social democracia levaram nosso país para as trevas, destruíram a moral dos cidadãos e acabaram com os valores. Os conservadores estão tentando, desesperadamente, tirar o Brasil deste caos. Precisamos unir nossas forças enquanto é tempo de salvar nossa nação. Meu nome é Leandro Costa criei este site para divulgar ideias, trabalhos e contar com você para me ajudar a mudar o Rio de Janeiro e talvez o Brasil. Pretendo usar meus conhecimentos para, de fato, ajudar na construção de um mundo melhor. Convido você a fazer parte do meu time de apoiadores, amigos, entusiastas e todos que acreditam em minhas ideias. Defendo o conservadorismo e conto com sua ajuda para tirar o nosso povo da lama que a esquerda nos colocou.

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BIOGRAFIA

Leandro Costa

Servidor público, advogado impedido, professor de Direito, Diretor Acadêmico do projeto Direito nas Escolas e editor-chefe da Revista Conhecimento & Cidadania.

Defensor de uma sociedade rica em valores, acredito que o Brasil despertou e luta para sair da lama vermelha que tentou nos engolir. Sob às bênçãos de Deus defenderemos nossa pátria, família e liberdade, tendo como arma a verdade.

É preciso fazer a nossa parte como cidadãos, lutar incessantemente por nosso povo e deixar um legado para as futuras gerações. A política deve ser um meio do cidadão conduzir a nação, jamais uma forma de submissão a tiranos.

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