Nos dias 3 e 4 de junho de 1989, o regime chinês reprimiu protestos que pediam a democratização daquele país de forma violenta. O episódio ficou conhecido com Massacre da Praça da Paz Celestial e expôs a face nefasta que a ditadura chinesa não gostaria que o povo sob seu nefasto poder conhecesse.
O massacre foi encoberto pelo regime, apagando dos registros oficiais, impedindo a veiculação pela mídia, que é alinhada ao regime, e buscas sobre o tema em fontes descentralizadas. O episódio recheado de um autoritarismo desproporcional que servira apenas para os déspotas se manterem no poder, tornou-se um tema cujo regime lutaria para apagar da história, impondo a censura a qualquer um que tentasse tocar no assunto.
A única forma encontrada pela ditadura comunista para tratar do massacre foi a imposição do silêncio, entretanto, tentar ofuscar um algo por meio da força pode gerar o efeito oposto.
Em 2010, a cantora Bárbara Streisand, ao ter sua mansão em Malibu exposta através de imagens foto, processou o fotógrafo com o fim de apagar tal publicação, entretanto, o processo surtiu efeito contrário ao pretendido pela atriz, posto que, devido à sua insistência em ocultar a mansão, as buscas se tornaram cada vez mais constantes e o interesse pela mansão crescia.
A tentativa de encobrir gerou a curiosidade a respeito do tema, nasceu assim o termo Efeito Streisand, um conceito que sustenta um ponto muito relevante, em especial, em se tratando da internet.
O Efeito Streisand aponta que os esforços para encobrir algo podem gerar o efeito oposto, fazendo com que as pessoas se interessem por determinado tema, justamente, por perceberem que outro deseja o encobrir.
Mesmo quando tratamos de crianças, o senso comum é que a tentativa de esconder algo aguça a curiosidade, portanto, ao dizer a uma criança que ela não pode ver algo, nascerá o risco que ela desperte um interesse, antes inexistente, por aquilo que lhe fora proibido.
Os avisos de advertência quanta à idade fizeram com que álbuns de músicas, filmes e jogos de videogame fizessem mais sucesso que o esperado. A franquia Mortal Kombat deve parte do seu sucesso às medidas adotadas para impedir que crianças tivessem acesso ao extremamente violento jogo.
O regime chinês criou inúmeras barreiras para tentar controlar aquilo que povo, refém do Partido Comunista, pode ou não saber, entretanto, o uso de sistemas que visam burlar tão controle tornou-se algo considerável naquele país. Evidente que há repressão aos que usam tais mecanismos.
A Rússia, sujeita a um regime autocrata, também criou barreiras para que os cidadãos não pudessem trocar informações livremente. Algumas plataformas estão proibidas nas terras sobre o julgo de Vladimir Putin.
A Internet permitiu que os indivíduos trocassem informações diretamente entre si, não mais dependendo da mídia mainstream, em sua maioria controladas por governos ou corporação.
A descentralização da informação fez com que seus emissários experimentassem algo que não podia imaginar, o contraditório, antes reduzido aos debates e tribunais passou a ser exercidos no campo da informação, posto que, às narrativas passaram a ser contestadas e argumentos, antes apresentados como irrefutáveis, tiveram de se provar sólidos ou seriam arrastados para a lixeira das falácias.
O nazismo de direita foi desmentido e o aquecimento global se tornou mudanças climáticas, em breve, admitirão o socialismo africano como verdadeira causa da miséria naquele continente, mas até lá, restará a tentativa de silenciar as vozes que apontam as mentiras, seja pela censura ou pelo controle de quem pode ou não falar, exigindo que comunicadores sejam reduzidos a agentes de relações públicas do regime.
A China exigiu a especialização e cadastramento para produtores de conteúdo, ao passo que, no Brasil, o Supremo Tribunal Federal, que já sufocou os outros poderes da República, pensa em rever a sua decisão que permite, com razão, que qualquer um, independente de formação em jornalismo, possa exercer a função de comunicador, impedindo que aqueles rotulados como “blogueiros” gozem de determinadas proteções dadas aos profissionais de comunicação.
Se consideramos que o jornalista Alan dos Santos, apesar de sua formação, é tratado como blogueiro, com o fim de desmerecê-lo e subtrair-lhe as prerrogativas da profissão, resta evidente que só haverá respaldo para a mídia mainstream, aliada ao sistema de poder, portanto, voltaríamos à confortável situação, para alguns, em que a informação estava sobre o controle dos poderosos.
Durante o período da pandemia, quando o Covid Zé espalhava, um verdadeiro conluio entre governos, indústria farmacêutica, mídia mainstream, cientistas e gestores de plataformas digitais atuou para calar quem sugerisse tratamento precoce ou alternativo, criticasse as medidas autoritárias, bem como, questionasse aquilo que decidiram chamar de vacinas.
No Brasil, a mídia ainda evita tocar no assunto, embora os “erros” tenham sido expostos.
Evitando assumir o mal que fizeram ou colaboraram para que outros fizessem, a mídia mainstream ainda busca silenciar o tema como quem usa um escudo.
Honestamente, as medidas autoritárias para calar os que questionavam fez com que alguns desconfiassem ainda mais de tais medidas.
Recentemente, a Justiça proibiu que um homem condenado por agressão doméstica desse uma entrevista, alegando que ele não deveria falar sobre a vítima e a filha dela, entretanto, a proibição veio de foram preventiva, sem saber o conteúdo do que seria dito. A censura, impede que o tema seja discutido, gerando uma pergunta, mais que natural, sobre a real intenção do Judiciário.
Estaria o Judiciário impedindo o debate para não dar voz ao criminoso ou para que sua face ativista, feminista, que considera homens como cidadãos de segunda classe não fosse exposta?
Embora não deveria acontecer, tornou-se comum que reportagens sejam alvos de censura ou apagamento. Desde a matéria jornalística da Revista Isto É, O amigo do amigo do meu pai, que foi retirada de circulação por ordem judicial, surgiu a proibição de falar, mesmo que seja verdade, dos senhores da República e, em um segundo momento, extinguiu-se o sigilo da fonte, para que, apenas um louco, alguém que nada tem a perder ou esteja em estado terminal forneça informações a jornalistas.
Além de tais medidas, a suspensão de plataformas de redes sociais, como o Discord, sofrem bloqueio.
A mentira precisa impedir que os outros tenham acesso a verdade, pois só a ignorância manterá sua narrativa incontestável. Incomoda ver que as pessoas migram do Jornal Nacional, aliado do regime, para produtores de conteúdo independentes que não combinam narrativas com os poderosos, mas é natural que as pessoas abandonem aqueles que mentem até em quadrinhos para procurar fontes confiáveis.
O escudo do silêncio quebrar-se-á é as consequências chegaram de forma inevitável aos déspotas que insistem em calar aqueles que ousam desmenti-los.
Nossos sinceros cumprimentos aos corajosos que insistem em dizer a verdade e não venderam sua alma ao mal. Parabéns aos comunicadores independentes e descentralizados, você são heróis.
Leiam: Miséria em metástase
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Artigo publicado na Revista Conhecimento & Cidadania Vol. V N.º 69 edição de Agosto de 2026 – ISSN 2764-3867